14.06.2004
09.05.2004
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15.04.2004

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  To leave or not to live...

Primeiro perdes algumas pessoas cuja ausência pensavas não conseguir suportar..
Depois apercebes-te que se calhar não consegues mesmo.
De seguida foges das outras pessoas que amas porque não queres perdê-las ao acaso. Isso dá-te a sensação de controlo sobre algo na tua vida.
Ao contrário das primeiras pessoas que perdeste, as últimas desaparecem porque tu assim o decides, e é bom sobreviver àquele sentimento de impotência total e absoluta.
Depois sentes-te sozinho. Sem mais ninguém que possas perder. O absoluto vazio preenchido apenas pela mágoa da ausência.
Mas sobreviver é isto.
Antecipar o fim.


Peso. Ou a insustentável leveza do ter que ser.

Descobre aquilo que mais desprezas. Depois transforma-te nisso. Ou então ignora, e sofre porque pensas que consegues.
Anda para a frente. Mesmo que no teu íntimo isso signifique que na realidade estás a andar para trás.
Arrepende-te do que estás a fazer agora para amanhã poderes fazer o que queres.
Arca com o peso do mundo. Mas lembra-te sempre que o peso é relativo, e que na realidade todos flutuamos no espaço.
Grita e imagina que há eco no vácuo.
Não. "Não quero ser responsável por mim assim".


Vozes

Insanidade. Corre. Pára. Salta. Não, não tão alto.
Vês? Tu és diferente. Vês?
Bem demais.
Não prestas.
Olha porque é que não olhas para "ele/ela". É muito melhor pessoa do que tu.
Não não é, porque eu tomei o comprimido vermelho e "ele/ela" ainda flutua no azul.
Voltavas atrás?
Se calhar...
Não.
Deixas-me fugir?
Não.
Às escondidas, podes fazer intervalos. Inebriar-te.
Mas...
Onde fico eu. Quem sou eu. Quem somos eu.
Vai-te foder.
Eu ia.


A Mentira

Entorpecido por tudo o que nunca te disse, a vida brinca comigo com se eu fosse um novelo de lã com o qual um gato se diverte. Lembras-te de me falares no Xauno? Como se quisesse dar-lhe o que me deste a mim. Como se fosse possível eu poder comparar-me.
Queria tanto que fosse mentira, como o que envolve este dia de plástico. Mas não é, e cada vez mais a tua verdade fica longe. E cada vez mais ela entra em mim.
Lembro-me exactamente como eu estava neste dia há um ano atrás. Tremia. Gritava por dentro, por fora, com todas as minhas forças. Como tu estavas. Tão branca, tão fria. Queria aquecer as tuas mãos como aquecias as minhas quando eu era criança. E sempre. Agora não posso tocar-te, e a noção disso enlouquece-me e enterra-me contigo.
Faltam-me forças para pegar nos tijolos e reconstruir. A angústia de admitir isto é tanta. Força. A simples noção. Quem me dera.
Por vezes ouço a tua voz em sonhos, mas não consigo ver a tua imagem na realidade. Como uma simples cassette de vídeo se pode tornar num objecto a evitar a todo o custo. Tenho medo de te perder. O teu olhar, o teu rir. Mas não quero que as minhas memórias se transformem em pedaços de fita magnética.
Como nunca quis perder o toque das tuas mãos.



Sim. Regressei.

Por quanto tempo?


t
   
 


2003